10:28

Mudança de Lar

Aos leitores e seguidores fiéis do Blog Swan Song, desejo informá-los que estou passando todo o conteúdo deste blog para meu outro Blog Prancheta Virtual. Peço, por gentileza, que comentários sejam deixados no Prancheta Virtual, que além de novidades sobre literatura, também versa sobre outros assuntos como ilustração e tecnologia.

Obrigada!

12:39

Contos do concurso literário “FC do B” no Bookess


Está disponível para leitura, no site da BOOKESS, a coletânea de contos selecionados na primeira edição do Concurso Literário Ficção Científica Brasileira.
http://www.bookess.com/read/3349-fc-do-b-panorama-20062007/
Concurso Literário FC DO B - Ficção Científica Brasileira
"Ajudando a escrever a História da FC Brasileira"
Site: www.fcdob.com
Email: fcdob_concurso@yahoo.com.br

10:30

A política de um bom escritor por Adriano Siqueira


Fantásticas dicas do autor Adriano Siqueira sobre como ser um bom escritor. Um verdadeiro dez mandamentos do que um escritor deve e não deve fazer. Para ler, acesse: Contos de Vampiros

05:31

Nova Revista de Poemas e Poesia

Estão abertas as inscrições para o primeiro volume da revista digital O POETA. Trata-se de uma revista inteiramente GRATUITA, aberta a todos os autores de poemas e poesias ou ilustradores dispostos a divulgarem seu trabalho. Cada edição versará um tema diferente.

Nesta Primeira Edição, os textos deverão versar sobre o universo dos anjos e demônios. Pode ser anjos leais a Deus, anjos da guarda, anjos caídos, homens e mulheres que são verdadeiros anjos em nossas vidas ou demônios perversos e manipuladores. Enfim, há muitos anjos que nos cercam todos os dias, sobrenatural ou não!

Abaixo segue a capa provisória da revista:


Para maiores informações acesse:
http://revistaopoeta.blogspot.com/

Entrem e façam parte desta revista online!

Abraços.

18:33

Nova Revista de Terror

Caros amigos e leitores.

Mais uma oportunidade de ver nosso trabalho divulgado.

Trata-se de uma nova Revista Online especializada em Contos de Terror chamada O LIVRO NEGRO DO TERROR. É uma revista inteiramente GRATUITA, com o objetivo de oferecer apoio a autores e ilustradores dispostos a divulgarem seu trabalho.

Desta vez, a organização está sendo feita por mim. A Capa do Primeiro Número já está sendo esboçada.

Aos escritores e ilustradores que tiverem interesse em ter seu trabalho divulgado na revista, acessem o Blog para mais informações: http://livronegrodoterror.blogspot.com/

16:49

Antologia Bandeira Negra

Caros amigos e leitores. Mais uma excelente oportunidade para ter nosso trabalho publicado em livro. Trata-se do Bandeira Negra, uma nova antologia que versa sobre o universo dos Piratas. A organização está sendo feita por Lino França Jr. e Frodo Oliveira.


Acesse o Blog para mais informações: http://bandnegra.blogspot.com/

17:11

Selo

Mágico é:
Amar e ser amado.

Perdoar e ser perdoado.
Doar sem esperar doação.

Agradeço a Nilda de Metáforas Cotidianas pelo maravilhoso selo. Deixo aqui a minha colaboração, como dita as regras:


Regrinhas
- pegue o selinho
- responda a pergunta (O que é mágico para você?)
- repasse para 10 blogs
- indique de onde pegou o selinho
- ilustre com uma imagem

Os Blogs que indico:

Bel
Gato Preto: Desenhos e Estilos

Deinha
Deinha-Entretenimento

Jhonny B.
Blog da Santista

Karina
Garan no Dou

Marys
Estamos de Olho, hein!

Vanessa
Angelus Errare

12:40

Tipos de Premissas


Neste artigo definiremos os três tipos de premissas mais comuns em romances e como elas funcionam dentro da escrita.

Existem três tipos de premissas: (1) reação em cadeia, (2) forças opostas, e (3) situacional.

O tipo de reação em cadeia é simples de entender. Algo acontece com o personagem que desencadeia uma série de eventos, levando a uma espécie de clímax e resolução.

Nesse tipo de história, algo inesperado acontece normalmente no começo. Digamos que Joe está à caminho do trabalho, odiando a sua vida monótona, quando vê um caminhão blindado virar a esquina e um saco cair para fora da porta traseira. Joe pega o saco, leva-o para casa e descobre que ele contém $ 3 milhões. Ele se torna uma celebridade, vai no "Jô Soares", onde fala sobre seu grande amor por cães. Então é convidado para fazer comerciais sobre ração, se tornando também um defensor dos direitos dos animais.

Joe começa a ter problemas. Sua esposa o abandona e pede uma tonelada de dinheiro no divórcio. Numa noite, voltando para casa, ele encontra um cachorro na rua e chuta-o para tirá-lo do seu caminho. Seus maus-tratos ao cão é filmado e colocado em todos os telejornais. Ele é arruinado.

No final, Joe recebe o seu antigo emprego de volta, percebe que a fama não era para ele, reconcilia com sua ex-mulher, e é perfeitamente feliz.

Premissa: Encontrar um saco de dinheiro leva à felicidade perfeita.

Esta premissa é uma forma abreviada de dizer: Esta é a história de um cara que encontra uma mala de dinheiro, vai no "Jô Soares", torna-se garoto propaganda de comerciais de ração para cachorro, fica famoso, vira um idiota arrogante, perde sua esposa, chuta um cachorro, perde tudo e volta com a sua esposa e o velho emprego de volta.

A premissa do tipo forças opostas descreve uma história em que duas forças lutam uma contra a outra e um deles ganha. O amor vence o patriotismo, Como exemplo, pode ser a premissa da história de um jovem homem do exército alemão que se apaixona por uma mulher Checa. Talvez seja uma história trágica em que o alcoolismo Derrota o amor ou onde a ganância destrói idealismo.

Você pode expressar uma premissa de forças opostas como uma equação, x vs y = z.

Como você pode provar a premissa alcoolismo destrói o amor?

Você pode começar por mostrar que Joe ama Maria. Ele é tão louco por ela, que ele desafia a sua família para casá-la. Ele vence a disputa por ela com um rico cara, o que comprova que ela realmente o ama. Então, Joe começa a beber, para se divertir. Dirigindo alcoolizado, ele sofre um acidente e Maria é ferida. Ela perdoa-o. Ele tenta parar de beber. Maria começa a ver outro homem. Joe descobre. Eles brigam. Ele jura parar de beber para sempre. Eles mudam para outra cidade e deixam o passado para trás. O novo trabalho de Joe o pressiona e ele sente necessidade de tomar uma bebida para acalmar seus nervos.

Maria encontra suas garrafas escondidas. Ela retorna à seu amante, abandonando Joe para sempre.

Ok, isso não é uma grande história e não há muitas surpresas, mas mostra claramente que o alcoolismo destrói o amor.

A premissa situacional é uma situação em que está afetando todos os os personagens. Muitos romances de guerra examinam os efeitos da guerra sobre os seres humanos.

A premissa situacional pode fugir do controle com facilidade, fazendo com que o autor perca o foco. Como cada personagem vai mudar de maneiras diferentes, como resultado de estar na situação, é normal este tipo de romance ter muitas histórias, cada uma com sua própria premissa, que pertencem a mesma capa, porque todas as histórias são afetadas pela mesma situação.

Digamos que nós estamos escrevendo um romance sobre a Guerra Civil.

Na nossa novela, o tenente Smith, um rapaz inocente se torna insano. Sua premissa: Guerra torna homens inocentes em louco.

O sargento Brown, um homem gentil, se torna um bruto. Sua premissa: Guerra embrutece. Jones, um sonhador e poeta, acaba amargo. Sua premissa: Guerra amarga. General Fitzgibbons, um tático ousado, é esmagado e morto. Sua premissa: imprudência leva à perdição. Isto não quer dizer que cada personagem acaba mal. Natz, um solitário e melancólico médico, torna-se um herói. Sua premissa: Heroísmo leva a auto-satisfação.

11:57

Revista Fantástica


Saudações leitores do Swan Song. Há alguns dias soube de um novo projeto que promete ser um prato cheio para os aficionados por literatura fantástica e autores nacionais do gênero.

A partir de maio, teremos uma Revista Digital muito bacana sobre literatura fantástica na área, com estréia prevista para o dia 25 de maio. O nome não poderia ser mais sugestivo: Fantástica! Envolvidos neste projeto estão os autores: Luiz Ehlers (Marcas na Parede), Dhyan Shanasa (O Livro de Tunes); Felipe Pierantoni (O Diário Rubro); Vincent Law (O Mundo de Avalon) e Leandro Schulai (O Vale dos Anjos).

A Fantástica é talvez a primeira revista digital com conteúdo voltado exclusivamente para a literatura Fantástica Nacional, incluindo matérias, resenhas, entrevistas e muito mais. É feita por autores brasileiros e tem como grande motivação unir todos os leitores deste gênero. “Todos os envolvidos de alguma forma na ficção nacional, sejam leitores ou autores, terão seu espaço dentro da revista, que é GRATUITA, e está aí justamente para dar o suporte a todos que estiverem na batalha e acreditam em seu talento”.

Abaixo, segue a descrição do projeto escrito por Luiz Ehlers:

É com satisfação que apresentamos este projeto, que será muito relevante à literatura nacional. A FANTÁSTICA é talvez a primeira revista digital voltada EXCLUSIVAMENTE para a literatura fantástica nacional.

A grande motivação da FANTÁSTICA é criar um meio forte que consiga unir todos os públicos deste gênero, que ainda nos parecem um pouco dispersos.

A FANTÁSTICA é feita por autores e idealizada para todos os apreciadores deste gênero, tão adorado por tantos. Todos os envolvidos de alguma forma na ficção nacional, sejam leitores ou autores, terão seu espaço dentro da revista, que é GRATUITA, e está aí justamente para dar o suporte a todos que estiverem na batalha e acreditam em seu talento.

Envolvidos neste projeto, além de mim (Luiz Ehlers), estão os autores Dhyan Shanasa (O Livro de Tunes); Felipe Pierantoni (O Diário Rubro); Vincent Law (O Mundo de Avalon) e Leandro Schulai ( O Vale dos Anjos). Todos têm se empenhado bastante de modo a garantir uma revista com qualidade e profissionalismo.

Esperamos poder contar com o apoio de todos na divulgação da FANTÁSTICA e que ela possa também ajudar a todos em seus objetivos dentro da literatura.

A primeira edição está prevista para o final de maio/10 e contará com os seguintes temas:

- MATÉRIA DE CAPA - Ele está chegando! Tudo sobre a aguardada sequência de Leandro Reis: O Senhor das Sombras;
- LIDO E ENTREVISTADO - após a devida leitura, fizemos uma entrevista com Victor Maduro, autor de Além da Terra do Gelo;
- TROCA TROCA - seção onde autores trocam de livros e um resenha sobre a obra do outro;
- EM FOCO - que fará a cobertura do lançamento da antologia de Ademir Pascale NO MUNDO DOS CAVALEIROS E DRAGÕES, recentemente lançada;
- CONEXÕES - é o espaço aberto dentro da FANTÁSTICA para expor o melhor dos blogs brasileiros de literatura.
Tudo isso e muito mais...

Para aqueles interessados, clique na figura para ser redirecionado para o site da revista que ficará exposta na barra lateral esquerda do Blog. Lá, contém uma lista de vários livros de Fantasia.

Contatos:

Comunidade: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=101014100

Site: http://revistafantastica.webs.com/

Skoob: http://www.skoob.com.br/perfil/revistafantastica

Twitter: http://twitter.com/_fantastica

Contato: revistafantastica@hotmail.com

Espero que curtam essa iniciativa e não deixem de divulgá-la. Vamos dar a literatura fantástica nacional o prestigio que ela merece.

Leiam e participem!

04:47

Traição


Uriel lembrava da primeira vez que ouviu a Voz. Lembrava-se da primeira palavra que ouviu em sua criação.

Foi há muito tempo atrás...

O anjo de asas cinzas e o anjo de asas brancas observavam o mundo no alto de um abismo.

― Os humanos... eles não são do tipo que nós somos. Nós somos iluminados, eles não são. Além de tudo eles são estranhos, nem feios, nem bonitos, estranhos. Estes mortais lutam entre si em seu próprio território e agem como animais, consumindo uns aos outros. Não possuem nenhuma meta derradeira a atingir, nenhuma existência em comum. Mas também é verdade que nenhuma existência seria possível nesta desordem pura. Veja como eles criam e vangloriam-se dos teus deuses de pedra e madeira cinzelados e fundidos, esculpidos e pintados, deuses que não vêem nem ouvem. Eles nem sabem o que é a verdadeira Pureza. ― Comentou o anjo de asas brancas para o outro que se mantinha silencioso. Exalava um odor doce e inebriante de sândalo, que vinha das mechas loiras de cabelo que caiam em seu rosto.

O anjo de asas cinzas o observou, notando que os pensamentos do outro eram bélicos e eloqüentes.

― O que você diz é verdade, Estrela da Manhã. - Respondeu pacientemente o anjo de asas cinzas. Fechava os olhos e pensava... - Mas o que eu direi agora também é verdade, porque eu só posso falar somente o que Deus em sua brandura mostra para mim: que os humanos não serão interferidos. Não temos este direito e nem liberdade de interferir em seus pensamentos e consciência.

Lúcifer fitou-o, incapaz de fazer algum comentário irônico. Em circunstâncias normais, teria sido o primeiro a zombar das palavras de Uriel. Porém, sentiu um gosto amargo na boca.

― Eu entendo. Mas isso não significa que eu aprove. – respondeu Lúcifer.

― Deus não nos concedeu o direito de julgar. Eu suponho que verei com o tempo que propósito estes humanos servem, mas só quando e se Deus julgar este direito a mim.

Lúcifer se virou naquele mesmo momento, revelando ao outro seu rosto belo e aqueles olhos tão enigmáticos.

― Pelo que sinto de sua personalidade, você tem paciência, meu amigo. Mas um homem paciente nem sempre é um homem virtuoso. Quem pacientemente espera o lobo partir condena à morte a si próprio.

Lúcifer retirou um punhal da cintura. A mente de Uriel foi rasgada de seus pensamentos quando ele sentiu uma dor no lado esquerdo que levou espasmos por todo o seu corpo. Ele girou a cabeça lentamente e olhou com surpresa para o punhal cravado em sua carne, sentindo o gume roçar-lhe uma costela. Sabia que aquele anjo estava a cometer um ato horrível, algo que nunca fizera antes e que iria ter conseqüências gravíssimas. Suas mãos apertaram ao redor do cabo de prata da pequena arma e arrancou a fria lâmina de seu corpo, fitando o anjo de asas brancas que tinha o apunhalado.

― Singelo és tu que me fere, que rouba meu sossego, que me apunhala por trás. Diga-me... Por que? Por que me apunhala de forma traiçoeira?

― Porque eu não compartilho desta sua mesma virtude.

Lúcifer riu e seus pés deixam de tocar o chão, sustentando-se no ar. Em ambos os lados cresceram-lhe asas nas costas que uma vez lustrosas e que antes brilhavam como espelhos sob a luz do sol, já mostravam sinais de escurecimento e penas perdidas. Uriel encarou o punhal. A traição ainda era mais intima, quando ele percebeu que era o mesmo punhal que ele havia dado para Lúcifer há bilhões de anos atrás, quando a Terra tinha sido finalmente construída. A lâmina feita de um pedaço do primeiro minério.

Os olhos do anjo de asas brancas cintilaram. Ele riu de novo, com malicia e ironia. Uriel agarrou com força o punhal todo cravejado de esmeraldas, o próprio sangue gotejando da ferida aberta pela lâmina. Segurando a adaga, ergueu-a, o seu próprio sangue escorreu da lâmina até o cabo.

― Não pode ser...

Ele sentia uma nova dor, uma dor espiritual, uma dor que torcia por todo o seu corpo. O anjo atraiçoado sentia a dor que ele não entendia; sentimentos os quais ele não sabia dar nomes. Uriel se ajoelhou e olhou para o céu além da copa das árvores que começava a se tingir de tom rubro. Lágrimas de tristeza se misturavam às de raiva. Ele rezou a Deus na esperança de poder entender as nuances do plano Dele corretamente. E Uriel ouviu algo que ele não ouvia durante milhares de anos. Ele ouviu a Voz.

06:24

Como criar apreensão e ansiedade no leitor


Webster enumera uma segunda definição para o suspense:
“O estado de ser incerto, como nos aguarda uma decisão, geralmente caracterizado por alguma ansiedade ou apreensão”.

Suspense é um sentimento de incerteza ou ansiedade mediante as conseqüências de um determinado fato, mais frequentemente referente à perceptividade da audiência em um trabalho dramático. No primeiro sentido é uma forma de curiosidade. O autor levanta questões, o leitor é curioso. No segundo sentido, o escritor desperta um estado de ansiedade ou apreensão do que apenas colocando o leitor em um estado de mais curiosidade. Suspense que faz o leitor ansioso ou apreensivo é certamente mais atrativo do que mera curiosidade.

Agora então, como os escritores vão criando um tal estado?

Considere o seguinte situação:
Laura era uma criança curiosa, de um pouco mais de dezoito meses. Tinha brilhantes cachos loiros, grandes olhos azuis, e bochechas com pequenas covinhas. Ela estava apenas aprendendo a andar e sua mãe estava orgulhosa de que ela poderia fazê-lo sozinha. Estava sempre tentando descobrir o que estava "lá em cima", fora de seu alcance, como se estivesse tentando descobrir o quão este misterioso mundo funciona.

Nada demais, correto? Então vamos melhorar acrescentando uma ameaça:

E então um dia sua mãe deixou uma panela de água fervente no fogão, quando ela saiu da cozinha por apenas um minuto para atender ao telefone. Laura olhou para cima e viu a alça de cobre marrom e começou a se perguntar sobre isso. Ela rastejou até a Fogão e levantou-se, estendendo a mão para alcançar a alça. . .

Neste caso, as questões da história são:

Será que Laura alcançará a alça e puxará a panela para fora do fogão, se escaldando de água fervente? Será que a mãe voltará a tempo? Mas a intenção do autor aqui é mais do que apenas levantar questões e respondê-las na próxima frase. Podemos, por exemplo, parar o capítulo na última sentença, deixando o leitor sem saber se a mãe irá ou não conseguir chegar a cozinha e evitar a tragédia a tempo. A maioria dos leitores ficarão ansiosos, esperando que a tragédia seja evitada. A ansiedade e a apreensão produzem um suspense ainda mais forte no leitor do que curiosidade.

Para criar apreensão e ansiedade no leitor, o escritor deverá primeiro fazer com que o leitor sinta simpatia pelo personagem. Ganhar a simpatia do leitor é crucial para induzir ansiedade no leitor e prendê-lo a leitura, fazendo-o preocupar-se e a maravilhar-se com o destino do personagem.

Um personagem simpático é um personagem que a maioria dos leitores quererá ver coisas boas acontecerem com ele. Para que o seu leitor tenha simpatia por seu personagem, é fazê-lo sentir pena dele, fazer perfilar contra ele uma ameaça, não necessáriamente física, é claro. Todas as situações nas quais seu personagem sofre - física, mental ou espiritual - atraem a simpatia do leitor. Desaprovação social muitas vezes é uma ameaça de maior conseqüência do que a ameaça física.

Isto se aplica não só na abertura, mas ao longo de toda a ficção, o leitor deve estar se preocupando com as coisas ruins que podem acontecer a personagens simpáticos. O maior erro que você poderia cometer, como escritor, seria não mergulhar seu herói em situações de ameaças, desde o ínicio e ao longo de toda a história. Ameace seu personagem e coloque-o em apuros, e se ele conquista a simpatia do leitor, este será vítima de ansiedade.

No tipo de suspense descrito por Hitchcock, ele ocorre quando a audiência tem a expectativa de que algo ruim está para acontecer, uma perspectiva construída através de eventos sucessivos, aos quais eles não têm o poder de interferir de forma a prevenir os acontecimentos.

• Em Tubarão, a única coisa ruim é o grande tubarão branco que está comendo personagens simpáticos, e arruinando a vida de Brody.

• Em Carrie, a única coisa ruim são os planos terríveis que os meninos na escola têm em mente para Carrie, e as coisas ruins que acontece com cada personagem simpático na cidade quando Carrie fica fora de controle.

• Em Orgulho e Preconceito, a única coisa ruim é Elizabeth e Darcy não se apaixonarem e se casarem. (Mesmo que eles não parecem se dar bem, o leitor sabe que eles foram feitos um para o outro.)

• Em Gone with the Wind, a única coisa ruim é a vinda do Yankees.

A simpatia é a porta que estabelece o leitor a um laço emocional com os personagens principais da história. Sem simpátia, não há vínculos com a personagem e, portanto, não há emoção.

Digamos que você tenha uma idéia para uma história. Há uma senhora rica e seu servo. Ela o trata como lixo. Ele a atura porque precisa do trabalho. Você quer fazer algum tipo de declaração sobre os maus tratos dos ricos para as pessoas pobres, mas onde está o suspense? A Ameaça? Que tal você colocar estes personagens em seu iate no meio do Mediterrâneo e ele afunda. A rica senhora e seu servo ficam presos em uma ilha deserta. Agora você tem uma situação de ameaça, pois eles têm que sobreviver. Não é bom? Você não quer escrever uma história de sobrevivência?

E se o servo fica tão farto que ele decide colocar um disfarce e satisfizer a mulher como um igual, e eles se apaixonam? A Ameaça? Ele pode ser descoberto e seu amor destruído.

E se o servo descobre que alguém está tentando matar a senhora rica e ele tira fotos dos conspiradores? Ele pode descobrir que os criminosos estão tentando o matar.

Ok, você não gosta de histórias de crime. Tudo bem. James quer se casar com Jolie. Ele propõe, ela aceita. Sua idéia aqui é você querendo mostrar como as pessoas costumam se casar porque é a coisa a fazer, mesmo quando o parceiro não é o ideal. Você cria uma pequena cidade onde as meninas se casam aos dezesseis anos.

A ameaça aqui não é imediata. Para fazê-lo, tudo que você tem que fazer é mostrar que o casamento com James será prejudicial para Jolie. O dano não precisa ser físico, mas a emoção está na preocupação com sua falta de conhecimento sobre o desenvolvimento de um evento significativo, dado a combinação da antecipação com a forma de lidar com a incerteza e obscuridade do futuro. Jolie tinha uma chance de estudar Ópera na Europa. O casamento significa que ela perde essa oportunidade. Agora, a perspectiva de casamento é uma ameaça (perda de oportunidade), conseqüentemente, a situação se torna um suspense.

Dean Koontz em como escrever ficção disse que "noventa e nove de cem novos escritores cometem o mesmo Erro nas páginas iniciais de seus livros e é um dos piores erros que poderia cometer: Eles não começam suas romances mergulhando seu herói ou heroína em terríveis apuros".

Concluindo, se o seu personagem é simpático e ameaçado, você criou um estado de ansiedade e apreensão no leitor. Esta é a receita para criar um bom suspense.

10:52

Definição de Suspense


William Foster-Harris, em As Fórmulas Básicas de Ficção, diz que “fazemos o nosso melhor para que o leitor fique paralisado, preso pela leitura. O leitor espera ver o que vai acontecer a seguir.”

Para isso, o romancista tenta fazer com que seus leitores se "preocupem e queiram saber" sobre os personagens.

Webster define o suspense desta forma:

“O estado de estar indeciso ou indeterminado”.

O que é está indeciso ou indeterminado? Não é o estado do autor ou do leitor. O que está indeciso ou indeterminado é a questão da história.

A questão da história é um dispositivo para fazer o leitor curioso. Elas são declarações que exigem mais explicações, problemas que necessitam de resolução.

Aqui estão alguns exemplos de aberturas de histórias que levantam perguntas:

• Foi bem depois da meia-noite quando o reitor ouviu batidas na porta. (A pergunta: Quem pode estar batendo tão tarde da noite, e por quê?)

• A primeira coisa que Clarice disse para si mesma quando se encontrou com Jorge foi: "Pai, nunca, jamais aprovaria esse homem." (Questões levantadas: Por que seu pai não aprovaria? O que acontecerá quando Jorge e o pai se conhecerem? Clarice está interessada em Jorge, ou será que ela só gosta de alfinetar seu pai?)

• Paulo conheceu sua nova madrasta, pela primeira vez no Natal. (Questão colocada: Será que eles gostaram um do outro?)

• Ivan não acredita em fantasmas. (Pergunta: Será que essa descrença será posta à prova?)

• Verônica disse para Laurêncio não amarrar o Colt em seu quadril quando ele entrar na cidade, mas Laurêncio nunca deu ouvidos a ninguém. (Pergunta: Que coisa ruim vai acontecer quando ele chegar com a arma na cidade?)

• "Oh!" Jéssica exclamou: "você me trouxe um presente!" (Pergunta: Qual é o presente?)

Levantando questões deste tipo, tendo um mistério a revelar e algo a decidir, é a mais simples e direta maneira de criar suspense.

Coloque uma questão possante desde o começo do enredo e fisgue o leitor, de maneira que ele não possa mais parar de ler. Quando as questões aparecem no início de uma história, elas são chamadas de ganchos, porque se destinam a "prender" o leitor para ler mais. Ganchos são frequentemente curtos intervalos de história com perguntas que serão respondidas rapidamente ou não serão respondidas até quase o final da história.

Uma questão de história, desperta a curiosidade dos leitores e cria o suspense, fazendo com que eles se interessem na história. O suspense consiste portanto em levantar questões que dão base ao seu enredo. Mas a técnica de levantar questões deve ser trabalhada cuidadosamente. Macauley e Lanning em Técnica na Ficção (1987) advertem que " Um ínicio emocionante e dramático é perfeitamente possível, mas deve ser completamente justificada pela história que se segue. "

Escritores iniciantes, muitas vezes começam uma história sem levantar uma questão. O que seguem são alguns exemplos dos tipos de abertura, muitas vezes escritos por iniciantes:

• O quarto tinha um papel de parede listrado e uma mesa sob a janela. (Questões levantadas: nenhuma).

• A cidade não era lugar para se divertir à noite, então Oliver decidiu ir para a cama mais cedo e ler o último livro do Harry Potter. (O leitor não quer saber o que ele está lendo. Ele quer ação.)

• O velho Ford tinha a pintura enferrujada e um assento que cheirava a um velho par de tênis. (Novamente, nenhuma pergunta a ser levantada-descrição apenas.)

• A professora era uma bruxa, e Juliana estava contente quando as férias de verão chegou. (O problema que é ter uma professora que é uma bruxa está prestes a resolver-se. Não há questão levantada na mente do leitor sobre o que vai acontecer a seguir).

• A brisa morna soprava pela janela aberta, e a lua era um globo dourado no céu de São Paulo. (A descrição não vai ligar um leitor a história).

Tais aberturas, muitas vezes, mesmo que boa, não farão os editores e leitores quererem ler uma longa história, se seu interesse não for despertado desde o início.

Aqui está um exemplo de um romance publicado, em que questões são levantadas:

Uma hora antes do pôr do sol, no início de Outubro de 1815, um homem que viajava a pé entrou na pequena cidade de D. As poucas pessoas que neste momento estavam em suas janelas ou nas portas, consideravam o viajante com uma espécie de desconfiança.

Esta é a abertura do segundo livro de Victor Hugo, Les Misérables. A primeira frase levanta a questão da história: Quem é este homem? A segunda frase torna-o um pouco ameaçador, o que aumenta o suspense. A curiosidade do leitor, sem dúvida foi despertada.

A maioria dos livros que se propõem a dar conselhos a escritores de ficção vão afirmar que é sábio para escritores de contos engancharem seus leitores o mais rapidamente possível, nas primeiras três frases ou menos, enquanto o romancista pode enganchar os leitores mais para frente. Na verdade, o ideal seria, tanto o contista, quanto o romancista, apresentarem uma questão de história, logo que possível, geralmente na primeira ou segunda frase.

Aqui estão alguns exemplos:

• Uma noite abafada no início de julho um jovem emergiu do pequeno quarto mobilado que ocupava em uma grande casa de cinco andares em Sennoy Lane, e virou-se lentamente, com um ar de indecisão, para a Ponte Kalininsky. (Crime e Castigo. O autor, através da inserção de "ar de indecisão", em uma declaração sobre um jovem caminhando na rua, tem levantado a questão sobre o que ele está indeciso.)

Foi relatado por várias pessoas que uma chuva de pedras caiu de um claro céu azul em Carlin Street, na cidade de Chamberlain em 17 de agosto. As pedras caíram principalmente na casa da Sra. Margaret Branco, danificando o telhado extensivamente e arruinando duas calhas. . . . (Carrie. Isto levanta todos os tipos de perguntas sobre este acontecimento misterioso: O que causou isso? Por que a chuva de pedras caiu principalmente nesta casa? etc)

• Scarlett O'Hara não era bela, mas raramente os homens perceberam quando capturado por seu encanto como os gêmeos Tarleton eram. (De Gone with the Wind, é claro. A abertura, obviamente, levanta a questão de quais são as consequências dos gêmeos de terem sido encantados? Será que vão lutar por ela? E assim em diante.)

Assim, desde o início do romance, abra a história com uma poderosa pergunta e enganche os leitores tão fortemente que eles não podem parar de ler.

16:22

A Importância de Criar Personagens


Uma das minhas maiores paixões ao escrever um conto ou romance é o processo de criação de personagens. Fico maravilhada como alguns escritores conseguem criar personagens únicos e marcantes, capazes de perpetuarem por anos na memória das pessoas. Referente aos meus personagens, eles me cutucam, exigem para que eu diga o motivo do porque os criei.

Criados na minha mente, nutridos no meu coração, eles nascem de mim como filhos e são criados para o mundo, para divertirem as pessoas, para emocioná-las ou para causar repúdio. São como se fossem pessoas reais, mostrando suas mais diversas nuances.

A evolução dos personagens dentro de um romance é muito importante. Mais até que no conto, onde os fatos são o mais importante. Se os personagens são carismáticos, se eles tem o poder de chamar a atenção do leitor, passar verossimilidade e surpreender em situações inusitadas, o romance já é bem-sucedido.

19:21

Extraneus


O site, ESTRONHO E ESQUÉSITO, do escritor, M.D.AMADO, abriu inscrições para novos escritores participarem de sua mais nova coletânea em três volumes com temáticas instigantes. Trata-se da coleção Extraneus, concebida em homenagem ao site Estronho e Esquésito, que desde 1996, vem divulgando contos de literatura fantástica, de diversos autores do Brasil e Portugal, assim como as poesias góticas e grotescas também de autores dos dois países, tendo como marco de um aumento significativo de qualidade e quantidade, a partir de 2004, quando autores que já começavam a ficar conhecidos no cenário da literatura fantástica brasileira, começaram a publicar seus textos no site.

Inicialmente, a coleção EXTRANEUS possuirá três volumes, cada um com um tema desafiador para os autores, mas que permitem total liberdade de criação por parte dos autores, em relação ao gênero escolhido. "Embora o volume 1, pela mistura de dois gêneros de literatura, acabe limitando um pouco a criação., nos volumes 2 e 3 os autores podem soltar a imaginação com o terror, suspense, ficção científica, steampunk, fantasia medieval ou urbana... enfim, qualquer subgênero da literatura fantástica pode figurar entre os contos selecionados.

O Volume 1 tem o título de Medieval Sci-Fi, e sua proposta é publicar contos em que os elementos medievais se misturem com os da ficção científica. Os autores terão total liberdade de criação, podendo fazer as misturas que quiserem entre esses dois temas.

Podem ser misturados cavaleiros e dragões, com viagens espaciais, alienígenas, troca de tecnologia e tudo aquilo que envolver esses dois gêneros. Mas é essencial que haja a mistura. Não serão aceitos contos que sejam ambientados em apenas um desses gêneros.

O Volume 2 tem o título de Quase Inocentes, e sua proposta é publicar contos que envolvam crianças. Podem ser crianças assassinas, psicopatas, vampiras, lobisomens, alienígenas ou o que mais vier à cabeça dos insanos autores. Total liberdade de escrever em qualquer subgênero da literatura fantástica.

O Volume 3 tem o título de Em Nome de Deus, e sua proposta é publicar contos que retratam as atrocidades, injustiças e devaneios dos homens em nome de Deus ou de religiões e doutrinas. Até que ponto o ser humano é capaz de usar o nome de Deus para cometer crimes, escravizar povos e promover guerras? Será que isso acontece apenas aqui na Terra? Os autores podem se utilizar de quaisquer subgêneros da literatura fantástica para criar seus textos... E rezem para que não sejam excomungados... Ou que sejam.

Como o objetivo principal é a divulgação dos trabalhos e a descoberta de novos talentos, EXTRANEUS não poderia ser uma antologia, ou coleção, paga. Os Autores NÃO PAGAM para publicar, não são obrigados a adquirir nenhum exemplar (nem mesmo por consignação) e recebem os direitos autorais. Em contrapartida, a impressão é feita sob demanda, ou seja, à medida que forem fechados os pedidos semanais, os livros são enviados para os compradores diretamente pela editora.""

Mais uma ótima oportunidade para escritores do mundo fantástico que querem ver seu conto publicado. Maiores informações Acesse http://www.estronho.com.br/extraneus e veja as regras para envio de contos. Parabéns ao Estronho e Esquésito pela iniciativa.

14:38

CONCURSO DE MINI-CONTOS DO BLOG "MASMORRA DO TERROR"


O Blog MASMORRA DO TERROR está realizando um concurso de mini-contos de terror.

- o concurso terá como temática, lugares assombrados: casas, mansões, cemitérios, fazendas, parques, enfim, use sua imaginação;
- o mini-conto não deverá ultrapassar 20 linhas;
- não há a necessidade de ineditismo;
- as inscrições estão abertas a partir deste momento;
- o prazo para envio vai até o dia 30/04/2010;
- o resultado será conhecido no dia 02/05/2010;
- os três primeiros colocados serão premiados (conforme lista abaixo), e terão seus mini-contos publicados no Masmorra do Terror.

PREMIAÇÃO:

1º Colocado – 03 Livros:

- CARRIE, A ESTRANHA – Autor: Stephen King – Editora: Ponto de Leitura
- METAMORFOSE – A FÚRIA DOS LOBISOMENS – Organizador: Ademir Pascale; Autores Diversos (inclusive este que vos escreve) – Editora: All Print
- SINISTRO! – Organizador: Frodo Oliveira; Autores Diversos (inclusive este que vos escreve) – Editora: Multifoco.

2º Colocado – 02 Livros:

- METAMORFOSE – A FÚRIA DOS LOBISOMENS – Organizador: Ademir Pascale; Autores Diversos (inclusive este que vos escreve) – Editora: All Print
- SINISTRO! – Organizador: Frodo Oliveira; Autores Diversos (inclusive este que vos escreve) – Editora: Multifoco.

3º Colocado – 01 Livro:

- SINISTRO! – Organizador: Frodo Oliveira; Autores Diversos (inclusive este que vos escreve) – Editora: Multifoco.


Não haverá qualquer tipo de cobrança dos participantes, incluindo as despesas de envio dos prêmios que ficarão totalmente a cargo do administrador do blog.

Envie seu conto para: masmorradoterror@hotmail.com

Participe!

05:35

O Jantar com os Boiardos


Tirgoviste, Valáquia 1456.

A Valáquia em que Vlad Drácula, Príncipe da casa de Basarab e Duque de Valáquia, governava na época era formalmente conhecida como o estado de Tara Romenescu, “Terra da Romênia”.

Desde antes do tempo do avô de Drácula, a província foi governada por um príncipe, ou domnul. O domnul trabalhava com os latifundiários e boiardos para manter o fluxo de comércio e o direito de terra segura contra os intrusos e infiéis. Também, o domnul mantinha um bom relacionamento com os membros da igreja católica romana, que dominavam a Romênia. Ambas as partes foram relativamente paralela, Deus e César mantidos felizes, por assim dizer.

No entanto, Drácula teve um novo, e o que ele chamou necessário, plano para o seu principiado, onde o César seria apenas um pouco mais feliz e muito mais poderoso. Tão logo reconquistou de Vladislav o trono valáquio, ele acabou com o sistema feudal do domnul que, insistiu, não era mais que um fantoche para a classe dominante, como os boiardos, barões ricos, e os líderes da igreja com patrocínio externo. Após a sua coroação como príncipe, ele anunciou que o povo deve olhar para ele como um voivode, um príncipe guerreiro, governador de seu domínio, doravante, como se sob a lei marcial, onde há um soberano, um decisor. Como os turcos impunham uma ameaça constante sobre a terra, ele considerou a Valáquia um estado de guerra, e um estado de guerra requer um governo mais duro.

Até aquela época, os boiardos tinham feito as suas próprias leis; eles tinham ainda a propriedade de interferir na justiça do príncipe. Isso acabaria. E aqueles que revidassem, Dracula explicou, seria tratado – seriamente – a partir do trono em Tirgoviste.

Ao estabelecer seus planos, Drácula havia trazido a seu lado uma comitiva de aliados fortes, muitos dos quais haviam sido campeões da família durante décadas, e que tinha servido fielmente ao seu pai, o Dragão. Nem ele, nem eles, haviam esquecido que o idoso durante o reinado de muitos dos proprietários de imóveis na Valáquia tinha causado problemas. Muitos tentaram minar o Dragão. Drácula já tinha matado os responsáveis pela morte do Dragão, mais não foi suficiente.

Depois que suas políticas de transição foram anunciados, os boiardos começaram a reclamar das ordens do novo governante, ponderando se mudar de lado foi a melhor decisão. Alguns boiardos retaliaram a escrever cartas e convocar reuniões de protesto. Pensavam que, mais cedo ou mais tarde, iriam acabar domando o rapaz.

Drácula, que percebeu que sua mensagem não estava a ser levada a sério e odiava os ricos comerciantes alemães e famílias nobres – os boiardos – realizou uma grande festa no saguão de entrada do Palácio de Torgoviste e convocou à sua corte, à poderosa nobreza do país, cerca de duas centenas de homens para deixá-los falar as suas queixas durante um suntuoso jantar. Não só reuniu os homens, mas também suas mulheres e seus filhos, juntamente com cinco bispos, os abades dos mais importantes mosteiros estrangeiros e nacionais, e o arcebispo.

Ansiosa por cargos e regalia, mais de uma centena de boiardos acorreu, de peito inflado pela ambição, ao chamado do novo suserano. E não suspeitavam os gentis homens que as portas do castelo se abriam como o aparato móvel e fatídico de uma ratoeira.

O jantar foi servido as dez. A comida foi colocada imediatamente na mesa, mas ninguém tocou nela antes de o reitor proferir em latim o pedido de benção para a refeição. Quando terminou a oração, todos se sentaram e começarm a servir-se. Havia pão de trigo, broa, sopa de legumes, carne de porco, ovos e castanhas. Para beber tinham água e vinho. Comiam enquanto falavam, fazendo passarem por uns gestos para os outros o pão, a carne ou o vinho.

Durante todo o jantar, Vlad estava sombrio e silencioso, limitando-se a observar cada membro na mesma mesa de jantar à que ele estava sentado, com aqueles olhos escuros, profundos e misteriosos que pareciam penetrar a alma. Ali os talheres eram de ouro, não de prata, e os trinta lugares não eram num banco de carvalho, mas sim em cadeiras de mogno com almofadas de veludo. Sentados em cada cadeira, estavam todos nobres poderosos, de grande riqueza e poder, regras e boiardos em Valáquia e Transilvânia. Fazia agora poucos dias desde que ele tinha levado controle de Valáquia. Rei Janos Hunyadi havia morrido e a Hungria estava atualmente debaixo da lutas de poder. A maioria dos Danestis foi morta e o restante fugiu.

Enquanto Drácula inspecionava as expressões sorrateiras e desonestas dos boiardos, pensava que entre os convidados estariam os assassinos de seu pai e de seu irmão.

A meio da refeição, depois que eles tiveram tempo de expressar-se, Drácula, na cabeceira da mesa, empurrou para trás o seu copo de vinho e, de repente, se levantou de seu assento. Deu um peteleco de leve na taça; o som percorreu todo o salão. Todos o olharam, subitamente calados. Fez então um discurso pouco típico de um príncipe da Valáquia, que era normalmente um instrumento dos boiardos.

― Cavalheiros, agradeço por aceitarem meu convite para este humilde jantar. ― disse, indicando a quantia impressionante de comida na mesa. Alguns homens riram. – A maioria de vocês conheceu meu pai, o Dragão. A maioria de vocês era partidário dele, pelos dias que ele governou.

Um boiardo elevou a taça de vinho.

― Dracul era um grande homem. E nós esperamos que o filho dele seja também um grande homem. Para Drácula!

Outros homens também elevaram as taças e declararam ruidosamente.

― Para Drácula!

Vlad teve um pequeno sorriso na face, o de uma criança que sabe que ele adquirirá algo bom.

― Obrigado. Mas antes de todos vocês começarem a celebrar, há certa questão que nós precisamos discutir. Lealdade. Tenho estado a pensar sobre o destino da minha terra e queria perguntar-lhe a todos uma coisa: Quantos príncipes conhecestes, meus leais súditos, durante as vossas vidas?

Depois de alguns risos e caretas na audiência, reinou um momento de silêncio.

― Quantos?

― É uma pergunta simples. – Vlad virou ao mais jovem dos homens. ― Tu, Andrei. Quantos Príncipes da Romênia conheceste?

― Sete, meu senhor.

― E tu, Bordeaux?

Querendo impressionar o jovem príncipe com seu poder, ele respondeu:

― Muitos. Demasiados.

― Desde vosso avô meu soberano, não houve menos que vinte príncipes. E eu sobrevivi a todos eles. – disse outro.

― Eu já sobrevivi a trinta reinados. – retorquiu um terceiro.

Desse modo, quase pitoresco, cada boiardo permanecia no seu lugar e testava a severidade de seu novo governante. O título do principado e tudo o que ele implicava eram vistos como uma dose de ironia.

― Vocês falam de sua lealdade a Valáquia, a Romênia, e alguns até mesmo para mim. Mas, ainda assim, vocês tiveram muitos príncipes na sua terra, incluindo meu pai. Como explicam isso?

A assembléia se entreolhou, esperando por um constituinte entre eles para ser o porta-voz.

― O mundo é assim mesmo. Instabilidade.

― E de quem é a culpa? ― o princípe voltou a indagar.

― Do povo? Da natureza humana?

― Dos próprios Príncipes?

― Desafio qualquer um de vocês admitirem a verdade! Eu vou dizer-vos o que eu acho do porque os príncipes têm ido e vindo aqui: Por causa de suas intrigas vergonhosas! Vocês... Vocês são o motivo. A vossa ganância, a vossa deslealdade, a vossa corrupção. Vocês apoiaram os Danestis, meu pai e antes dele meu tio. Da forma como a lealdade de vocês muda tanto, eu estou achando difícil confiar em vocês. – ele disse.

A mesa estava de repente muito quieta. Um homem riu inquieto.

― Nosso senhor zomba conosco. Se ele tivesse qualquer dúvida sobre nós, ele não nos teria convidado para a casa dele. – ele disse, tentando soar alegre.

― Verdadeiro como isso poderia ser... – Vlad Drácula disse suavemente. – Eu tenho que admitir que sinto grande intranqüilidade. Vocês boiardos, condes e duques, os homens de riqueza e poder. Vocês conseguiram manter suas posições por pelo menos três regras distintas, porque vocês se submeteram ao testamento deles. Porém, como o caso de meu pai provou, vocês também sabem quando é melhor para se submeter as próximas regras e substituí-la pela regra antiga. E eu não posso correr tal um risco. Mais valia serem agentes dos Turcos. E agora, vai tudo terminar. Eu vou elevar a Valáquia da lama que os Danesti a afundaram e fazer o que eu devo para libertá-la de toda a sujeira. Haverá apenas um governante de Valáquia, agora. Essas são as minhas palavras, para aqueles que perderão suas almas para mim. Todo aquele que leva uma vida de luxúrias e futilidades, sem honra, encontrará em meus cânticos, seu destino.

― Príncipe Drácula, o que você... – um dos homens começou a perguntar, mas não terminou.

Drácula, com seus olhos brilhando de um modo que se tornaria característico, acenou para um cortesão aguardando na porta, ele, por sua vez, sinalizou para um número de guardas que esperavam no vestíbulo. Os homens saíram de seus esconderijos e se aproximaram da mesa, um homem atrás de cada boiardo, com suas espadas descobertas. Dentro de minutos, seus fiéis servidores haviam cercado o saguão. Mal as barras de ferro selaram os portões do vasto salão de banquete, veio à ordem do sanguinário soberano, cuja crueldade rivalizava com a incomplacência: Drácula ordenou que todos os boiardos presentes – homens, mulheres, crianças, sem distinção de idade, sexo ou condição – fossem executados. Os homens à mesa estavam chocados e se levantaram.

― O que?

― Traíste-nos!

Vlad considerava-os com um riso zombeteiro, seus olhos, quando ele os olhou, era a de um animal selvagem que tem a sua presa em seu poder, e regozijando-se com o horror sem nome, que ele viu retratado em todas as suas faces.

― Respondeste a minha próxima pergunta. Ia pedir que os assassinos do meu pai se levantassem. Não pensem muito mal de mim, mas minha esposa chegará em um ou dois dias, e eu realmente quero todos os problemas estatais resolvidos até lá. – Vlad disse, ainda falando com uma voz muito macia.

― Miserável!

― Vocês serão escoltados para fora! – Drácula disse a seus hóspedes. – Saiam da minha frente! – Brindou-os em zombaria, vendo como eles saíram, ladeados por guardas armados.

Quando a comitiva chegou ao pátio, um a um os nobres valáquios, assim como suas mulheres e empregados foram imediatamente lanceados em estacas de madeira afiadas, encontrando a morte cruel pela empalação.

Drácula apareceu na varanda para assistir. As lanças foram fixadas no chão, em seguida, as vítimas iam deslizando pela estaca. Ainda em espasmos, os corpos eram empalados e deixados expostos na vizinhança do palácio, com vista para a cidade, até que seus corpos fossem devorados pelos corvos.

O luar derramava-se com generosidade e beleza. Ele se sentou e começou a comer o jantar delicioso, sem nem mesmo se importar em elevar os olhos para assistir os nobres agonizarem.

18:29

Divulgação da capa da Antologia "Draculea: O Retorno dos Vampiros - Volume II"


Finalmente foi divulgada no blog "O Desejo de Lilith" a mais nova capa do livro “Draculea: O Retorno dos Vampiros - V.II”.

Para mais informações e leitura do regulamento acesse o site. O prazo para a entrega de contos foi prorrogado para 20/05/2010.

09:58

Crônicas de Nárnia - O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa


As Crônicas de Nárnia é uma série de sete livros infantis escrita pelo irlandês C.S. Lewis narrando as aventuras que ocorrem em uma terra fictícia denominada Nárnia. Cada um dos sete livros de Lewis é uma obra-prima inigualável, atraindo o leitor para um mundo em que a magia está sempre presente, e o resultado é um mundo ficcional que tem fascinado crianças e adultos.

Conta a história de quatro irmãos (Pedro, Suzana, Edmundo e Lúcia) que são enviados pela mãe para um castelo no campo, no interior da Inglaterra, de modo a protegê-los dos contínuos bombardeios que assomam as grandes cidades inglesas, em especial Londres, pelo exército alemão durante a Segunda Grande Guerra. Um lugar com regras rígidas e pessoas, a príncipio, pouco amistosas.

Entediados, eles inventam brincadeiras como forma de distração e é durante uma das brincadeiras que, sem querer, a garotinha Lúcia encontra, em um dos guarda-roupas da casa, um portal para um estranho e diferente mundo chamado Nárnia, habitado por criaturas mitológicas que dividem seus espaços com animais falantes e onde os homens são chamados de "filhos de Adão" e as mulheres de "Filhas de Eva".

Após a ausência do soberano de Nárnia, o Leão Aslan, a região é dominada pela maldosa Feiticeira Branca que governa Nárnia com mão de ferro, transformando todos os seus adversários em pedra e mudando drasticamente a região, tornando o reino em um continente gelado. Neste mundo, existem uma profecia aonde, um dia, dois filhos de Adão e duas filhas de Eva irão terminar com esse reinado de terror com a ajuda do leão Aslam.

O leão Aslam é um personagem importante na série, pois é o único personagem presente em todos os livros. No mundo de Narnia, Aslan é o Leão redentor responsável pela sua criação.

Crônicas de Nárnia - O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa - é uma leitura leve e divertida, carregada de elementos cristãos e gregos. O combate entre o bem e o mau estão em todo lugar. A presença de temas cristãos são apresentados de forma sutil juntamente com as idéias do próprio autor.

06:56

Concurso - Literatura Fantástica


A Tarja Editorial abriu uma série de concursos de contos voltada para a literatura fantástica brasileira. Os contos selecionados pela editora farão parte de novas coletâneas a serem editadas e publicadas entre o segundo semestre de 2010 e o primeiro semestre de 2011. O prazo de entrega dos textos deve ser realizada até o dia 30 de agosto de 2010.

Mais informações e leitura do regulamento, acesse o site.

16:33

Tudo tem um começo...


Pensei muito se valeria a pena criar mais um blog. Tive vários blogs que morreram precocemente ou nem se deram ao luxo de nascer e mostrar para o que vieram. Hoje, a maioria deles descansa em paz, seus dados desfragmentados navegando perdidos pela rede. Sei que, algum dia, mesmo que eu relute com todas as forças de meu ser, o mesmo destino dos outros se repetirá com este aqui. Mas cuidarei para que ele não se vá tão cedo, não sem antes deixar bons frutos a serem colhidos sabiamente pelos leitores.

Além disso, precisava de um pequeno espaço neste grande universo tecnológico para divulgar notícias relacionadas com os meus trabalhos, um espaço para postar artigos, textos, poemas, debater o maravilhoso universo dos livros e sobre o mercado literário. Portanto pretendo ocupar este espaço para falar dos meus trabalhos mais recentes, dos concursos que estou participando, das resenhas dos livros que estou lendo e exercitar minha escrita. Pretendo todos os domingos postar religiosamente um conto de minha autoria ou trechos de livros que estou trabalhando para a apreciação de vocês.

E o mais importante: o blog está aberto para que autores, leitores e amigos possam entrar em contato para trocas de idéias.

Hora de abrir uma champanhe, brindarmos e desejarmos uma longa vida ao Swan Song!