12:39

Contos do concurso literário “FC do B” no Bookess


Está disponível para leitura, no site da BOOKESS, a coletânea de contos selecionados na primeira edição do Concurso Literário Ficção Científica Brasileira.
http://www.bookess.com/read/3349-fc-do-b-panorama-20062007/
Concurso Literário FC DO B - Ficção Científica Brasileira
"Ajudando a escrever a História da FC Brasileira"
Site: www.fcdob.com
Email: fcdob_concurso@yahoo.com.br

10:30

A política de um bom escritor por Adriano Siqueira


Fantásticas dicas do autor Adriano Siqueira sobre como ser um bom escritor. Um verdadeiro dez mandamentos do que um escritor deve e não deve fazer. Para ler, acesse: Contos de Vampiros

05:31

Nova Revista de Poemas e Poesia

Estão abertas as inscrições para o primeiro volume da revista digital O POETA. Trata-se de uma revista inteiramente GRATUITA, aberta a todos os autores de poemas e poesias ou ilustradores dispostos a divulgarem seu trabalho. Cada edição versará um tema diferente.

Nesta Primeira Edição, os textos deverão versar sobre o universo dos anjos e demônios. Pode ser anjos leais a Deus, anjos da guarda, anjos caídos, homens e mulheres que são verdadeiros anjos em nossas vidas ou demônios perversos e manipuladores. Enfim, há muitos anjos que nos cercam todos os dias, sobrenatural ou não!

Abaixo segue a capa provisória da revista:


Para maiores informações acesse:
http://revistaopoeta.blogspot.com/

Entrem e façam parte desta revista online!

Abraços.

18:33

Nova Revista de Terror

Caros amigos e leitores.

Mais uma oportunidade de ver nosso trabalho divulgado.

Trata-se de uma nova Revista Online especializada em Contos de Terror chamada O LIVRO NEGRO DO TERROR. É uma revista inteiramente GRATUITA, com o objetivo de oferecer apoio a autores e ilustradores dispostos a divulgarem seu trabalho.

Desta vez, a organização está sendo feita por mim. A Capa do Primeiro Número já está sendo esboçada.

Aos escritores e ilustradores que tiverem interesse em ter seu trabalho divulgado na revista, acessem o Blog para mais informações: http://livronegrodoterror.blogspot.com/

16:49

Antologia Bandeira Negra

Caros amigos e leitores. Mais uma excelente oportunidade para ter nosso trabalho publicado em livro. Trata-se do Bandeira Negra, uma nova antologia que versa sobre o universo dos Piratas. A organização está sendo feita por Lino França Jr. e Frodo Oliveira.


Acesse o Blog para mais informações: http://bandnegra.blogspot.com/

17:11

Selo

Mágico é:
Amar e ser amado.

Perdoar e ser perdoado.
Doar sem esperar doação.

Agradeço a Nilda de Metáforas Cotidianas pelo maravilhoso selo. Deixo aqui a minha colaboração, como dita as regras:


Regrinhas
- pegue o selinho
- responda a pergunta (O que é mágico para você?)
- repasse para 10 blogs
- indique de onde pegou o selinho
- ilustre com uma imagem

Os Blogs que indico:

Bel
Gato Preto: Desenhos e Estilos

Deinha
Deinha-Entretenimento

Jhonny B.
Blog da Santista

Karina
Garan no Dou

Marys
Estamos de Olho, hein!

Vanessa
Angelus Errare

12:40

Tipos de Premissas


Neste artigo definiremos os três tipos de premissas mais comuns em romances e como elas funcionam dentro da escrita.

Existem três tipos de premissas: (1) reação em cadeia, (2) forças opostas, e (3) situacional.

O tipo de reação em cadeia é simples de entender. Algo acontece com o personagem que desencadeia uma série de eventos, levando a uma espécie de clímax e resolução.

Nesse tipo de história, algo inesperado acontece normalmente no começo. Digamos que Joe está à caminho do trabalho, odiando a sua vida monótona, quando vê um caminhão blindado virar a esquina e um saco cair para fora da porta traseira. Joe pega o saco, leva-o para casa e descobre que ele contém $ 3 milhões. Ele se torna uma celebridade, vai no "Jô Soares", onde fala sobre seu grande amor por cães. Então é convidado para fazer comerciais sobre ração, se tornando também um defensor dos direitos dos animais.

Joe começa a ter problemas. Sua esposa o abandona e pede uma tonelada de dinheiro no divórcio. Numa noite, voltando para casa, ele encontra um cachorro na rua e chuta-o para tirá-lo do seu caminho. Seus maus-tratos ao cão é filmado e colocado em todos os telejornais. Ele é arruinado.

No final, Joe recebe o seu antigo emprego de volta, percebe que a fama não era para ele, reconcilia com sua ex-mulher, e é perfeitamente feliz.

Premissa: Encontrar um saco de dinheiro leva à felicidade perfeita.

Esta premissa é uma forma abreviada de dizer: Esta é a história de um cara que encontra uma mala de dinheiro, vai no "Jô Soares", torna-se garoto propaganda de comerciais de ração para cachorro, fica famoso, vira um idiota arrogante, perde sua esposa, chuta um cachorro, perde tudo e volta com a sua esposa e o velho emprego de volta.

A premissa do tipo forças opostas descreve uma história em que duas forças lutam uma contra a outra e um deles ganha. O amor vence o patriotismo, Como exemplo, pode ser a premissa da história de um jovem homem do exército alemão que se apaixona por uma mulher Checa. Talvez seja uma história trágica em que o alcoolismo Derrota o amor ou onde a ganância destrói idealismo.

Você pode expressar uma premissa de forças opostas como uma equação, x vs y = z.

Como você pode provar a premissa alcoolismo destrói o amor?

Você pode começar por mostrar que Joe ama Maria. Ele é tão louco por ela, que ele desafia a sua família para casá-la. Ele vence a disputa por ela com um rico cara, o que comprova que ela realmente o ama. Então, Joe começa a beber, para se divertir. Dirigindo alcoolizado, ele sofre um acidente e Maria é ferida. Ela perdoa-o. Ele tenta parar de beber. Maria começa a ver outro homem. Joe descobre. Eles brigam. Ele jura parar de beber para sempre. Eles mudam para outra cidade e deixam o passado para trás. O novo trabalho de Joe o pressiona e ele sente necessidade de tomar uma bebida para acalmar seus nervos.

Maria encontra suas garrafas escondidas. Ela retorna à seu amante, abandonando Joe para sempre.

Ok, isso não é uma grande história e não há muitas surpresas, mas mostra claramente que o alcoolismo destrói o amor.

A premissa situacional é uma situação em que está afetando todos os os personagens. Muitos romances de guerra examinam os efeitos da guerra sobre os seres humanos.

A premissa situacional pode fugir do controle com facilidade, fazendo com que o autor perca o foco. Como cada personagem vai mudar de maneiras diferentes, como resultado de estar na situação, é normal este tipo de romance ter muitas histórias, cada uma com sua própria premissa, que pertencem a mesma capa, porque todas as histórias são afetadas pela mesma situação.

Digamos que nós estamos escrevendo um romance sobre a Guerra Civil.

Na nossa novela, o tenente Smith, um rapaz inocente se torna insano. Sua premissa: Guerra torna homens inocentes em louco.

O sargento Brown, um homem gentil, se torna um bruto. Sua premissa: Guerra embrutece. Jones, um sonhador e poeta, acaba amargo. Sua premissa: Guerra amarga. General Fitzgibbons, um tático ousado, é esmagado e morto. Sua premissa: imprudência leva à perdição. Isto não quer dizer que cada personagem acaba mal. Natz, um solitário e melancólico médico, torna-se um herói. Sua premissa: Heroísmo leva a auto-satisfação.

11:57

Revista Fantástica


Saudações leitores do Swan Song. Há alguns dias soube de um novo projeto que promete ser um prato cheio para os aficionados por literatura fantástica e autores nacionais do gênero.

A partir de maio, teremos uma Revista Digital muito bacana sobre literatura fantástica na área, com estréia prevista para o dia 25 de maio. O nome não poderia ser mais sugestivo: Fantástica! Envolvidos neste projeto estão os autores: Luiz Ehlers (Marcas na Parede), Dhyan Shanasa (O Livro de Tunes); Felipe Pierantoni (O Diário Rubro); Vincent Law (O Mundo de Avalon) e Leandro Schulai (O Vale dos Anjos).

A Fantástica é talvez a primeira revista digital com conteúdo voltado exclusivamente para a literatura Fantástica Nacional, incluindo matérias, resenhas, entrevistas e muito mais. É feita por autores brasileiros e tem como grande motivação unir todos os leitores deste gênero. “Todos os envolvidos de alguma forma na ficção nacional, sejam leitores ou autores, terão seu espaço dentro da revista, que é GRATUITA, e está aí justamente para dar o suporte a todos que estiverem na batalha e acreditam em seu talento”.

Abaixo, segue a descrição do projeto escrito por Luiz Ehlers:

É com satisfação que apresentamos este projeto, que será muito relevante à literatura nacional. A FANTÁSTICA é talvez a primeira revista digital voltada EXCLUSIVAMENTE para a literatura fantástica nacional.

A grande motivação da FANTÁSTICA é criar um meio forte que consiga unir todos os públicos deste gênero, que ainda nos parecem um pouco dispersos.

A FANTÁSTICA é feita por autores e idealizada para todos os apreciadores deste gênero, tão adorado por tantos. Todos os envolvidos de alguma forma na ficção nacional, sejam leitores ou autores, terão seu espaço dentro da revista, que é GRATUITA, e está aí justamente para dar o suporte a todos que estiverem na batalha e acreditam em seu talento.

Envolvidos neste projeto, além de mim (Luiz Ehlers), estão os autores Dhyan Shanasa (O Livro de Tunes); Felipe Pierantoni (O Diário Rubro); Vincent Law (O Mundo de Avalon) e Leandro Schulai ( O Vale dos Anjos). Todos têm se empenhado bastante de modo a garantir uma revista com qualidade e profissionalismo.

Esperamos poder contar com o apoio de todos na divulgação da FANTÁSTICA e que ela possa também ajudar a todos em seus objetivos dentro da literatura.

A primeira edição está prevista para o final de maio/10 e contará com os seguintes temas:

- MATÉRIA DE CAPA - Ele está chegando! Tudo sobre a aguardada sequência de Leandro Reis: O Senhor das Sombras;
- LIDO E ENTREVISTADO - após a devida leitura, fizemos uma entrevista com Victor Maduro, autor de Além da Terra do Gelo;
- TROCA TROCA - seção onde autores trocam de livros e um resenha sobre a obra do outro;
- EM FOCO - que fará a cobertura do lançamento da antologia de Ademir Pascale NO MUNDO DOS CAVALEIROS E DRAGÕES, recentemente lançada;
- CONEXÕES - é o espaço aberto dentro da FANTÁSTICA para expor o melhor dos blogs brasileiros de literatura.
Tudo isso e muito mais...

Para aqueles interessados, clique na figura para ser redirecionado para o site da revista que ficará exposta na barra lateral esquerda do Blog. Lá, contém uma lista de vários livros de Fantasia.

Contatos:

Comunidade: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=101014100

Site: http://revistafantastica.webs.com/

Skoob: http://www.skoob.com.br/perfil/revistafantastica

Twitter: http://twitter.com/_fantastica

Contato: revistafantastica@hotmail.com

Espero que curtam essa iniciativa e não deixem de divulgá-la. Vamos dar a literatura fantástica nacional o prestigio que ela merece.

Leiam e participem!

04:47

Traição


Uriel lembrava da primeira vez que ouviu a Voz. Lembrava-se da primeira palavra que ouviu em sua criação.

Foi há muito tempo atrás...

O anjo de asas cinzas e o anjo de asas brancas observavam o mundo no alto de um abismo.

― Os humanos... eles não são do tipo que nós somos. Nós somos iluminados, eles não são. Além de tudo eles são estranhos, nem feios, nem bonitos, estranhos. Estes mortais lutam entre si em seu próprio território e agem como animais, consumindo uns aos outros. Não possuem nenhuma meta derradeira a atingir, nenhuma existência em comum. Mas também é verdade que nenhuma existência seria possível nesta desordem pura. Veja como eles criam e vangloriam-se dos teus deuses de pedra e madeira cinzelados e fundidos, esculpidos e pintados, deuses que não vêem nem ouvem. Eles nem sabem o que é a verdadeira Pureza. ― Comentou o anjo de asas brancas para o outro que se mantinha silencioso. Exalava um odor doce e inebriante de sândalo, que vinha das mechas loiras de cabelo que caiam em seu rosto.

O anjo de asas cinzas o observou, notando que os pensamentos do outro eram bélicos e eloqüentes.

― O que você diz é verdade, Estrela da Manhã. - Respondeu pacientemente o anjo de asas cinzas. Fechava os olhos e pensava... - Mas o que eu direi agora também é verdade, porque eu só posso falar somente o que Deus em sua brandura mostra para mim: que os humanos não serão interferidos. Não temos este direito e nem liberdade de interferir em seus pensamentos e consciência.

Lúcifer fitou-o, incapaz de fazer algum comentário irônico. Em circunstâncias normais, teria sido o primeiro a zombar das palavras de Uriel. Porém, sentiu um gosto amargo na boca.

― Eu entendo. Mas isso não significa que eu aprove. – respondeu Lúcifer.

― Deus não nos concedeu o direito de julgar. Eu suponho que verei com o tempo que propósito estes humanos servem, mas só quando e se Deus julgar este direito a mim.

Lúcifer se virou naquele mesmo momento, revelando ao outro seu rosto belo e aqueles olhos tão enigmáticos.

― Pelo que sinto de sua personalidade, você tem paciência, meu amigo. Mas um homem paciente nem sempre é um homem virtuoso. Quem pacientemente espera o lobo partir condena à morte a si próprio.

Lúcifer retirou um punhal da cintura. A mente de Uriel foi rasgada de seus pensamentos quando ele sentiu uma dor no lado esquerdo que levou espasmos por todo o seu corpo. Ele girou a cabeça lentamente e olhou com surpresa para o punhal cravado em sua carne, sentindo o gume roçar-lhe uma costela. Sabia que aquele anjo estava a cometer um ato horrível, algo que nunca fizera antes e que iria ter conseqüências gravíssimas. Suas mãos apertaram ao redor do cabo de prata da pequena arma e arrancou a fria lâmina de seu corpo, fitando o anjo de asas brancas que tinha o apunhalado.

― Singelo és tu que me fere, que rouba meu sossego, que me apunhala por trás. Diga-me... Por que? Por que me apunhala de forma traiçoeira?

― Porque eu não compartilho desta sua mesma virtude.

Lúcifer riu e seus pés deixam de tocar o chão, sustentando-se no ar. Em ambos os lados cresceram-lhe asas nas costas que uma vez lustrosas e que antes brilhavam como espelhos sob a luz do sol, já mostravam sinais de escurecimento e penas perdidas. Uriel encarou o punhal. A traição ainda era mais intima, quando ele percebeu que era o mesmo punhal que ele havia dado para Lúcifer há bilhões de anos atrás, quando a Terra tinha sido finalmente construída. A lâmina feita de um pedaço do primeiro minério.

Os olhos do anjo de asas brancas cintilaram. Ele riu de novo, com malicia e ironia. Uriel agarrou com força o punhal todo cravejado de esmeraldas, o próprio sangue gotejando da ferida aberta pela lâmina. Segurando a adaga, ergueu-a, o seu próprio sangue escorreu da lâmina até o cabo.

― Não pode ser...

Ele sentia uma nova dor, uma dor espiritual, uma dor que torcia por todo o seu corpo. O anjo atraiçoado sentia a dor que ele não entendia; sentimentos os quais ele não sabia dar nomes. Uriel se ajoelhou e olhou para o céu além da copa das árvores que começava a se tingir de tom rubro. Lágrimas de tristeza se misturavam às de raiva. Ele rezou a Deus na esperança de poder entender as nuances do plano Dele corretamente. E Uriel ouviu algo que ele não ouvia durante milhares de anos. Ele ouviu a Voz.

06:24

Como criar apreensão e ansiedade no leitor


Webster enumera uma segunda definição para o suspense:
“O estado de ser incerto, como nos aguarda uma decisão, geralmente caracterizado por alguma ansiedade ou apreensão”.

Suspense é um sentimento de incerteza ou ansiedade mediante as conseqüências de um determinado fato, mais frequentemente referente à perceptividade da audiência em um trabalho dramático. No primeiro sentido é uma forma de curiosidade. O autor levanta questões, o leitor é curioso. No segundo sentido, o escritor desperta um estado de ansiedade ou apreensão do que apenas colocando o leitor em um estado de mais curiosidade. Suspense que faz o leitor ansioso ou apreensivo é certamente mais atrativo do que mera curiosidade.

Agora então, como os escritores vão criando um tal estado?

Considere o seguinte situação:
Laura era uma criança curiosa, de um pouco mais de dezoito meses. Tinha brilhantes cachos loiros, grandes olhos azuis, e bochechas com pequenas covinhas. Ela estava apenas aprendendo a andar e sua mãe estava orgulhosa de que ela poderia fazê-lo sozinha. Estava sempre tentando descobrir o que estava "lá em cima", fora de seu alcance, como se estivesse tentando descobrir o quão este misterioso mundo funciona.

Nada demais, correto? Então vamos melhorar acrescentando uma ameaça:

E então um dia sua mãe deixou uma panela de água fervente no fogão, quando ela saiu da cozinha por apenas um minuto para atender ao telefone. Laura olhou para cima e viu a alça de cobre marrom e começou a se perguntar sobre isso. Ela rastejou até a Fogão e levantou-se, estendendo a mão para alcançar a alça. . .

Neste caso, as questões da história são:

Será que Laura alcançará a alça e puxará a panela para fora do fogão, se escaldando de água fervente? Será que a mãe voltará a tempo? Mas a intenção do autor aqui é mais do que apenas levantar questões e respondê-las na próxima frase. Podemos, por exemplo, parar o capítulo na última sentença, deixando o leitor sem saber se a mãe irá ou não conseguir chegar a cozinha e evitar a tragédia a tempo. A maioria dos leitores ficarão ansiosos, esperando que a tragédia seja evitada. A ansiedade e a apreensão produzem um suspense ainda mais forte no leitor do que curiosidade.

Para criar apreensão e ansiedade no leitor, o escritor deverá primeiro fazer com que o leitor sinta simpatia pelo personagem. Ganhar a simpatia do leitor é crucial para induzir ansiedade no leitor e prendê-lo a leitura, fazendo-o preocupar-se e a maravilhar-se com o destino do personagem.

Um personagem simpático é um personagem que a maioria dos leitores quererá ver coisas boas acontecerem com ele. Para que o seu leitor tenha simpatia por seu personagem, é fazê-lo sentir pena dele, fazer perfilar contra ele uma ameaça, não necessáriamente física, é claro. Todas as situações nas quais seu personagem sofre - física, mental ou espiritual - atraem a simpatia do leitor. Desaprovação social muitas vezes é uma ameaça de maior conseqüência do que a ameaça física.

Isto se aplica não só na abertura, mas ao longo de toda a ficção, o leitor deve estar se preocupando com as coisas ruins que podem acontecer a personagens simpáticos. O maior erro que você poderia cometer, como escritor, seria não mergulhar seu herói em situações de ameaças, desde o ínicio e ao longo de toda a história. Ameace seu personagem e coloque-o em apuros, e se ele conquista a simpatia do leitor, este será vítima de ansiedade.

No tipo de suspense descrito por Hitchcock, ele ocorre quando a audiência tem a expectativa de que algo ruim está para acontecer, uma perspectiva construída através de eventos sucessivos, aos quais eles não têm o poder de interferir de forma a prevenir os acontecimentos.

• Em Tubarão, a única coisa ruim é o grande tubarão branco que está comendo personagens simpáticos, e arruinando a vida de Brody.

• Em Carrie, a única coisa ruim são os planos terríveis que os meninos na escola têm em mente para Carrie, e as coisas ruins que acontece com cada personagem simpático na cidade quando Carrie fica fora de controle.

• Em Orgulho e Preconceito, a única coisa ruim é Elizabeth e Darcy não se apaixonarem e se casarem. (Mesmo que eles não parecem se dar bem, o leitor sabe que eles foram feitos um para o outro.)

• Em Gone with the Wind, a única coisa ruim é a vinda do Yankees.

A simpatia é a porta que estabelece o leitor a um laço emocional com os personagens principais da história. Sem simpátia, não há vínculos com a personagem e, portanto, não há emoção.

Digamos que você tenha uma idéia para uma história. Há uma senhora rica e seu servo. Ela o trata como lixo. Ele a atura porque precisa do trabalho. Você quer fazer algum tipo de declaração sobre os maus tratos dos ricos para as pessoas pobres, mas onde está o suspense? A Ameaça? Que tal você colocar estes personagens em seu iate no meio do Mediterrâneo e ele afunda. A rica senhora e seu servo ficam presos em uma ilha deserta. Agora você tem uma situação de ameaça, pois eles têm que sobreviver. Não é bom? Você não quer escrever uma história de sobrevivência?

E se o servo fica tão farto que ele decide colocar um disfarce e satisfizer a mulher como um igual, e eles se apaixonam? A Ameaça? Ele pode ser descoberto e seu amor destruído.

E se o servo descobre que alguém está tentando matar a senhora rica e ele tira fotos dos conspiradores? Ele pode descobrir que os criminosos estão tentando o matar.

Ok, você não gosta de histórias de crime. Tudo bem. James quer se casar com Jolie. Ele propõe, ela aceita. Sua idéia aqui é você querendo mostrar como as pessoas costumam se casar porque é a coisa a fazer, mesmo quando o parceiro não é o ideal. Você cria uma pequena cidade onde as meninas se casam aos dezesseis anos.

A ameaça aqui não é imediata. Para fazê-lo, tudo que você tem que fazer é mostrar que o casamento com James será prejudicial para Jolie. O dano não precisa ser físico, mas a emoção está na preocupação com sua falta de conhecimento sobre o desenvolvimento de um evento significativo, dado a combinação da antecipação com a forma de lidar com a incerteza e obscuridade do futuro. Jolie tinha uma chance de estudar Ópera na Europa. O casamento significa que ela perde essa oportunidade. Agora, a perspectiva de casamento é uma ameaça (perda de oportunidade), conseqüentemente, a situação se torna um suspense.

Dean Koontz em como escrever ficção disse que "noventa e nove de cem novos escritores cometem o mesmo Erro nas páginas iniciais de seus livros e é um dos piores erros que poderia cometer: Eles não começam suas romances mergulhando seu herói ou heroína em terríveis apuros".

Concluindo, se o seu personagem é simpático e ameaçado, você criou um estado de ansiedade e apreensão no leitor. Esta é a receita para criar um bom suspense.

10:52

Definição de Suspense


William Foster-Harris, em As Fórmulas Básicas de Ficção, diz que “fazemos o nosso melhor para que o leitor fique paralisado, preso pela leitura. O leitor espera ver o que vai acontecer a seguir.”

Para isso, o romancista tenta fazer com que seus leitores se "preocupem e queiram saber" sobre os personagens.

Webster define o suspense desta forma:

“O estado de estar indeciso ou indeterminado”.

O que é está indeciso ou indeterminado? Não é o estado do autor ou do leitor. O que está indeciso ou indeterminado é a questão da história.

A questão da história é um dispositivo para fazer o leitor curioso. Elas são declarações que exigem mais explicações, problemas que necessitam de resolução.

Aqui estão alguns exemplos de aberturas de histórias que levantam perguntas:

• Foi bem depois da meia-noite quando o reitor ouviu batidas na porta. (A pergunta: Quem pode estar batendo tão tarde da noite, e por quê?)

• A primeira coisa que Clarice disse para si mesma quando se encontrou com Jorge foi: "Pai, nunca, jamais aprovaria esse homem." (Questões levantadas: Por que seu pai não aprovaria? O que acontecerá quando Jorge e o pai se conhecerem? Clarice está interessada em Jorge, ou será que ela só gosta de alfinetar seu pai?)

• Paulo conheceu sua nova madrasta, pela primeira vez no Natal. (Questão colocada: Será que eles gostaram um do outro?)

• Ivan não acredita em fantasmas. (Pergunta: Será que essa descrença será posta à prova?)

• Verônica disse para Laurêncio não amarrar o Colt em seu quadril quando ele entrar na cidade, mas Laurêncio nunca deu ouvidos a ninguém. (Pergunta: Que coisa ruim vai acontecer quando ele chegar com a arma na cidade?)

• "Oh!" Jéssica exclamou: "você me trouxe um presente!" (Pergunta: Qual é o presente?)

Levantando questões deste tipo, tendo um mistério a revelar e algo a decidir, é a mais simples e direta maneira de criar suspense.

Coloque uma questão possante desde o começo do enredo e fisgue o leitor, de maneira que ele não possa mais parar de ler. Quando as questões aparecem no início de uma história, elas são chamadas de ganchos, porque se destinam a "prender" o leitor para ler mais. Ganchos são frequentemente curtos intervalos de história com perguntas que serão respondidas rapidamente ou não serão respondidas até quase o final da história.

Uma questão de história, desperta a curiosidade dos leitores e cria o suspense, fazendo com que eles se interessem na história. O suspense consiste portanto em levantar questões que dão base ao seu enredo. Mas a técnica de levantar questões deve ser trabalhada cuidadosamente. Macauley e Lanning em Técnica na Ficção (1987) advertem que " Um ínicio emocionante e dramático é perfeitamente possível, mas deve ser completamente justificada pela história que se segue. "

Escritores iniciantes, muitas vezes começam uma história sem levantar uma questão. O que seguem são alguns exemplos dos tipos de abertura, muitas vezes escritos por iniciantes:

• O quarto tinha um papel de parede listrado e uma mesa sob a janela. (Questões levantadas: nenhuma).

• A cidade não era lugar para se divertir à noite, então Oliver decidiu ir para a cama mais cedo e ler o último livro do Harry Potter. (O leitor não quer saber o que ele está lendo. Ele quer ação.)

• O velho Ford tinha a pintura enferrujada e um assento que cheirava a um velho par de tênis. (Novamente, nenhuma pergunta a ser levantada-descrição apenas.)

• A professora era uma bruxa, e Juliana estava contente quando as férias de verão chegou. (O problema que é ter uma professora que é uma bruxa está prestes a resolver-se. Não há questão levantada na mente do leitor sobre o que vai acontecer a seguir).

• A brisa morna soprava pela janela aberta, e a lua era um globo dourado no céu de São Paulo. (A descrição não vai ligar um leitor a história).

Tais aberturas, muitas vezes, mesmo que boa, não farão os editores e leitores quererem ler uma longa história, se seu interesse não for despertado desde o início.

Aqui está um exemplo de um romance publicado, em que questões são levantadas:

Uma hora antes do pôr do sol, no início de Outubro de 1815, um homem que viajava a pé entrou na pequena cidade de D. As poucas pessoas que neste momento estavam em suas janelas ou nas portas, consideravam o viajante com uma espécie de desconfiança.

Esta é a abertura do segundo livro de Victor Hugo, Les Misérables. A primeira frase levanta a questão da história: Quem é este homem? A segunda frase torna-o um pouco ameaçador, o que aumenta o suspense. A curiosidade do leitor, sem dúvida foi despertada.

A maioria dos livros que se propõem a dar conselhos a escritores de ficção vão afirmar que é sábio para escritores de contos engancharem seus leitores o mais rapidamente possível, nas primeiras três frases ou menos, enquanto o romancista pode enganchar os leitores mais para frente. Na verdade, o ideal seria, tanto o contista, quanto o romancista, apresentarem uma questão de história, logo que possível, geralmente na primeira ou segunda frase.

Aqui estão alguns exemplos:

• Uma noite abafada no início de julho um jovem emergiu do pequeno quarto mobilado que ocupava em uma grande casa de cinco andares em Sennoy Lane, e virou-se lentamente, com um ar de indecisão, para a Ponte Kalininsky. (Crime e Castigo. O autor, através da inserção de "ar de indecisão", em uma declaração sobre um jovem caminhando na rua, tem levantado a questão sobre o que ele está indeciso.)

Foi relatado por várias pessoas que uma chuva de pedras caiu de um claro céu azul em Carlin Street, na cidade de Chamberlain em 17 de agosto. As pedras caíram principalmente na casa da Sra. Margaret Branco, danificando o telhado extensivamente e arruinando duas calhas. . . . (Carrie. Isto levanta todos os tipos de perguntas sobre este acontecimento misterioso: O que causou isso? Por que a chuva de pedras caiu principalmente nesta casa? etc)

• Scarlett O'Hara não era bela, mas raramente os homens perceberam quando capturado por seu encanto como os gêmeos Tarleton eram. (De Gone with the Wind, é claro. A abertura, obviamente, levanta a questão de quais são as consequências dos gêmeos de terem sido encantados? Será que vão lutar por ela? E assim em diante.)

Assim, desde o início do romance, abra a história com uma poderosa pergunta e enganche os leitores tão fortemente que eles não podem parar de ler.

16:22

A Importância de Criar Personagens


Uma das minhas maiores paixões ao escrever um conto ou romance é o processo de criação de personagens. Fico maravilhada como alguns escritores conseguem criar personagens únicos e marcantes, capazes de perpetuarem por anos na memória das pessoas. Referente aos meus personagens, eles me cutucam, exigem para que eu diga o motivo do porque os criei.

Criados na minha mente, nutridos no meu coração, eles nascem de mim como filhos e são criados para o mundo, para divertirem as pessoas, para emocioná-las ou para causar repúdio. São como se fossem pessoas reais, mostrando suas mais diversas nuances.

A evolução dos personagens dentro de um romance é muito importante. Mais até que no conto, onde os fatos são o mais importante. Se os personagens são carismáticos, se eles tem o poder de chamar a atenção do leitor, passar verossimilidade e surpreender em situações inusitadas, o romance já é bem-sucedido.